Torres está cara? O que os dados realmente dizem sobre o mercado imobiliário

Uma publicação recente viralizou com a seguinte afirmação: com R$ 2 milhões em Torres, você compra apenas 66 m². A cidade apareceu no topo de um ranking das cidades com o metro quadrado mais valorizado do Brasil — acima de São Paulo, Gramado e Balneário Camboriú.
A manchete chamou atenção. Mas ela conta a história completa? Os dados dizem que não.
De onde veio esse número — e por que ele não representa o mercado todo
O levantamento foi feito com base em lançamentos disponíveis em uma única plataforma, com uma amostragem limitada. Em Torres, isso significa que os empreendimentos considerados estão concentrados nos terrenos mais exclusivos da cidade: beira-mar, Prainha e endereços de alto padrão.
Esses imóveis existem, são reais e têm seus compradores. Mas representam um segmento específico — não a totalidade do mercado.
O que realmente está disponível em Torres hoje
Torres conta com mais de 1.900 imóveis de apartamentos à venda atualmente. Quando se analisa o mercado de forma ampla, a diversidade de oferta é muito maior do que uma manchete consegue capturar.
Faixa de entrada — R$ 400 mil a R$ 700 mil
Apartamentos de 2 dormitórios no Centro de Torres são encontrados por volta de R$ 850 mil, e há opções de 2 quartos com metragens próximas a 106 m² por R$ 695 mil. Bairros residenciais como Engenho Velho e Igra Sul têm opções ainda mais acessíveis, voltadas para moradia permanente e investimento de longo prazo.
Faixa intermediária — R$ 700 mil a R$ 1,5 milhão
Na Praia Grande, é possível encontrar apartamentos de 2 suítes com 91 m² privativos por R$ 1,39 milhão, ou imóveis de 3 suítes com 157 m² por R$ 1,4 milhão. Esta faixa representa grande parte das transações reais que acontecem na cidade.
Alto padrão — acima de R$ 1,5 milhão
Na Avenida Beira-Mar da Praia Grande, a média estimada dos anúncios fica em torno de R$ 1,88 milhão, com ampla variação conforme metragem e padrão do imóvel. É aqui que se concentram os lançamentos que geraram o dado de 66 m²/R$ 2 milhões.
Torres valoriza — mas isso não é o mesmo que Torres está inacessível
Nos últimos cinco anos, a valorização dos imóveis em Torres foi superior à média nacional. Em 2020, a valorização chegou a 11,47%, contra 7,85% da média nacional pelo Índice FipeZap. Esse crescimento consistente atrai investidores e confirma a atratividade da cidade. O mercado imobiliário local apresenta boa relação custo-benefício comparado a outros destinos litorâneos do Sul e Sudeste, e Torres se destaca por ter infraestrutura consolidada — ao contrário de muitos balneários que funcionam apenas na temporada.
Valorização e acessibilidade não são opostos. Torres tem os dois — dependendo de qual recorte do mercado você está olhando.
O que o número de 66 m² não te conta
Um ranking que compara Torres com São Paulo e Balneário Camboriú usando apenas lançamentos premium está comparando o bairro mais caro de uma cidade com a média geral de outra. É uma distorção metodológica que produz manchetes impactantes, mas orienta mal quem quer tomar decisões.
O valor de um imóvel não é definido por uma manchete. É definido por:
- Localização dentro da cidade (beira-mar ou bairro residencial?)
- Oferta e demanda reais no segmento específico
- Liquidez — quanto tempo leva para vender, não só por quanto anuncia
- Preço efetivo de venda, que costuma ser diferente do preço de tabela
Conclusão
Torres tem imóveis de R$ 400 mil e imóveis de R$ 3 milhões. Tem apartamentos de 70 m² e de 157 m². Tem mercado para quem quer morar, para quem quer veranear e para quem quer investir.
O que ela não tem é um único preço de metro quadrado que represente tudo isso.
Quem toma decisão com base em manchetes corre o risco de pedir R$ 3 milhões por um imóvel que o mercado paga R$ 2 milhões — ou de desistir de comprar achando que "está caro demais", quando a oportunidade certa existe dentro do seu orçamento.
Quer saber quanto vale o seu imóvel hoje e qual é a velocidade real de venda no mercado atual? Converse com quem acompanha Torres todos os dias.

